Entre os dias 17 e 19 de abril, a Escola Família Agrícola de Porto Nacional sediou a Oficina Formativa Sementes de Proteção Popular no Tocantins, reunindo mais de 37 participantes de diferentes movimentos sociais, organizações e comunidades tradicionais.A atividade foi organizada pelo Movimento Estadual de Direitos Humanos e Ambientais do Tocantins (MEDHATO).
A iniciativa contou com a promoção de diversas entidades, entre elas MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), CEP (Centro de Educação Popular), CPT (Comissão Pastoral da Terra), MST, CIMI e centros de direitos humanos de diferentes regiões do estado, além do apoio da Escola Família Agrícola.
A oficina teve como principal objetivo fortalecer a proteção popular de defensoras e defensores de direitos humanos, por meio da formação de lideranças e da construção de estratégias coletivas de atuação. Também buscou retomar o debate sobre os conflitos na Bacia do Rio Formoso, uma das regiões mais afetadas por disputas territoriais e impactos ambientais no estado.
Ao longo dos três dias, os debates foram marcados por relatos de violações de direitos, especialmente relacionados ao avanço do agronegócio, à contaminação ambiental e à insegurança nos territórios. Durante as falas, foram denunciadas situações de ameaças, perseguições e conflitos armados, principalmente na região da Lagoa da Confusão.
As mudanças climáticas e seus impactos na vida das comunidades também estiveram em pauta, assim como a contaminação de rios e alimentos. Outro tema relevante foi o racismo ambiental, abordado em uma das mesas formativas, que discutiu como populações vulneráveis são as mais afetadas pelos impactos da exploração dos recursos naturais.
Para a presidente do MEDHATO, Selma, momentos como esse são essenciais para fortalecer a atuação coletiva nos territórios:“Momentos como essa oficina são fundamentais para que a gente possa se reconhecer enquanto sujeitos de direitos e, principalmente, enquanto coletivo. Aqui, compartilhamos dores, denúncias, mas também construímos caminhos. Diante de tantos conflitos e ameaças, fortalecer redes de proteção popular é uma estratégia de resistência e de cuidado com a vida. Esses debates nos ajudam a compreender melhor a realidade que enfrentamos e a agir de forma mais articulada e segura nos nossos territórios.”
A programação também incluiu debates sobre desigualdade social, violência de gênero, racismo e a atuação de defensoras e defensores de direitos humanos em contextos de risco.Durante as atividades em grupo, foram construídas estratégias de proteção popular, como a organização em redes de apoio, o fortalecimento da autoproteção e a articulação entre movimentos. Entre as propostas discutidas, destacam-se a importância do registro das violações, a atuação em rede e o cuidado com a segurança individual e coletiva.
O encerramento foi marcado por uma celebração em alusão ao Dia dos Povos Indígenas, com apresentação cultural e cânticos tradicionais, reforçando a importância da valorização dos saberes e da diversidade dos povos presentes.

